Leilão para conter alta do feijão

Leilão para conter alta do feijão

08/02/2017

Luana Gomes
Alimento dobrou de preço no supermercado neste ano e foi o principal responsável pelo aumento da inflação em outubro

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) realiza hoje mais uma rodada de leilões para vender parte dos estoques púbicos de feijão. No total, serão ofertadas 33,8 mil toneladas do produto. Os grãos estão armazenados em Goiás, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Bahia, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná e foram adquiridos pelo governo na safra passada. O objetivo da Conab é suplementar a oferta de feijão no mercado interno e, com isso, tentar conter a escalada no preço ao consumidor.

O alimento foi o principal responsável pela alta de 0,75% da inflação em outubro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve aumento de 4,38% nos dez primeiros meses do ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O feijão carioca, tipo mais consumido no país, subiu 31,4% no mês passado e acumula alta de 110% em 2010, conforme o IBGE. Atualmente, o consumidor curitibano paga cerca de R$ 3,60 pelo quilo produto (média cor e preto), mas o carioquinha chega a custar R$ 6 em alguns supermercados da cidade, conforme o serviço o Disque Economia da prefeitura.

A escalada nas gôndolas segue à elevação das cotações no campo. Desde o início do ano, a saca de 60 quilos subiu entre 67% (preto) e 134% (carioca) ao produtor, conforme levantamento da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab).

Dentro da porteira, a alta responde ao aperto na oferta. Preços baixos no final de 2008 desestimularam o plantio das águas na safra passada, fazendo com que a produção ficasse aquém do consumo. Com oferta restrita, os preços dispararam no primeiro semestre de 2010, causando efeito inverso no campo. Agora, novamente atrativo ao produtor, o feijão volta a ganhar especo nas lavouras no ciclo 2010/11. Levantamento da Conab mostra que boa parte dos quase 50 mil hectares que haviam sido perdidos no verão de 2009/10 foram recuperados na primeira safra deste ano, que está em fase final de implementação e começa a ser colhida no mês que vem no Centro-Sul do país.

A safra maior tende a aliviar a pressão no campo e no varejo, afirmam analistas. Para o consumidor, as notícias são boas, pois o preço do feijão está esfriando, principalmente do preto. O carioca ainda pode subir mais um pouco até o final do ano, mas também já está chegando ao limite, anuncia Marcelo Lüders, presidente do Instituto Brasileiro do Feijão (Ibrafe) e analista da Correpar.

Já para o produtor, arremata o analista, o cenário ainda é incerto. O agricultor tem duas preocupações neste ano: clima e preço. Se faltar chuva, pode haver quebra na produção. Se a safra for boa, é provável que os preços voltem a cair abaixo do mínimo, alerta. Ele observa que o atraso no plantio fará com que grande parte da colheita se concentre em janeiro, pressionando o mercado.

Outro motivo de preocupação é com o grande volume de feijão preto que está chegando da China neste ano. Segundo estimativa do Ibrafe, o Brasil deve receber 30 mil toneladas de produto chinês até o final de 2010. Se confirmado, corresponderá à metade do volume importado anualmente da Argentina, tradicional e principal fornecedora de feijão para o Brasil. Hoje a China é um fornecedor ocasional. Se se tornar habitual, será um problema muito grande para Brasil, que não terá como competir com os baixos custos de produção dos asiáticos. Com o dólar baixo, se o governo não tomar alguma atitude, a China pode virar um grande e perigoso concorrente do produtor brasileiro em plena safra, avalia o presidente do instituto.

Fonte: Planeta Arroz

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